A Espiritualidade Beneditina como Projeto de Santidade

No final da tarde do domingo, 29 de julho, na Capela do Instituto Sagrada Família, em Nova Veneza – Santa Catarina, iniciamos nosso Retiro Espiritual, com a Santa Missa presidida pelo Irmão, Pe. Emanuel dos Santos Maidana, Monge Beneditino, do Mosteiro da Ressurreição de Ponta Grossa – Paraná.

Com um grupo considerável de Irmãs, vindas de diversas Comunidades do Brasil, Paraguay e Argentina se fez presente como também as Postulantes que iriam ingressar no Noviciado, as Noviças que vão para o seu estágio apostólico. Irmã Odir Teresinha Lopes Brito, da Província da Divina Providência, vinda de Santo André – São Paulo e da candidata à Oblação da Família Espiritual Beneditina, Suzete Vidal, de Curitiba – Paraná, integraram o grupo das retirantes.

Assim, iniciamos nossa caminhada, neste tempo privilegiado de oração e escuta da Palavra de Deus, bem dispostas a nos deixar conduzir pelo Espírito Santo, sendo como barro nas mãos do Oleiro, deixando-nos modelar, segundo o querer de Deus.

Irmão Emanuel, assim quis ser chamado, propôs para estes dias de Retiro, percorrer o caminho espiritual com nosso Pai São Bento, meditando aspectos principais da Espiritualidade Beneditina.

Destacou o equilíbrio entre a oração e o trabalho que nosso Pai São Bento nos deixou como um lema de vida consagrada a Deus. Mãos que se ocupam ora da oração, ora com o trabalho, num movimento ininterrupto de preces e afazeres do dia a dia. É um grande desafio conciliar a oração e o trabalho, pois corre-se o risco de priorizar um em detrimento do outro.

Nosso pregador nos chamou a atenção, recordando-nos que nosso Pai São Bento nos deixou duas sentenças semelhantes: “Nada antepor ao amor de Cristo” (RB 4, 21) e “nada antepor ao Ofício Divino” (RB 43,3). Sendo assim, o amor de Cristo se exprima pela oração. A oração é fundamental na vida de um Consagrado. Nosso Apostolado deve estar alimentado pela oração contínua e perseverante. Como atingir o equilíbrio entre oração e o trabalho? Somos consumidos por uma grande quantidade de trabalho, pois estamos envolvidos por muitas atividades. Nossa oração deve ser constante, através dos meios indicados pela Igreja para o cultivo da espiritualidade cristã: a Lectio Divina, a Santa Eucaristia, e o Ofício Divino.

É o momento de olhar para si e se perguntar: Como está a minha vida que foi totalmente consagrada a Deus? Assim, “nada antepor ao amor de Cristo”, significa confiar, abandonando-se ao seu amor. Reconhecer que Cristo nos amou primeiro e que nos chama a corresponder ao seu amor.

Outro aspecto fundamental da Espiritualidade Beneditina é a hospitalidade. Nosso Pai São Bento nos anima que: “O hóspede e o peregrino devem ser recebidos como ao próprio Cristo, pois um dia ele dirá: ‘Era estrangeiro e você me acolheu’” (RB 53,1).

A hospitalidade beneditina é uma expressão essencial do compromisso cristão. O acolhimento faz parte de nossa vida. Cada hóspede deve ser recebido com alegria, que ao chegar em nossa casa, em nossa comunidade, ele encontre abrigo e acolhida verdadeira. Também nos ensina nosso Pai São Bento, receber a todos com honra porque Cristo expressamente se identifica com todas as pessoas. Nosso amor para com o próximo precisa ser traduzido em gestos concretos e o acolhimento é um deles.

Prosseguindo nosso Retiro, meditamos sobre a Obediência no sentido da escuta. Segundo a tradição bíblica, a obediência é a forma que temos para glorificar a Deus. Assim, o Pai sendo glorificado, derrama bênçãos sem medida e sem limites sobre os que lhe obedecem. É a prontidão em realizar a vontade de Deus. Assim como na criação, ao som da voz de Deus, as coisas foram feitas, sem demora: “Faça-se e foi feito”.

Para nosso Pai São Bento a todos os que seguem o Cristo a obediência é a renúncia de todo o projeto pessoal, é a aplicação prática de seu princípio: “Nada antepor ao amor de Cristo” (RB 4,21). No Prólogo da Santa Regra faz um insistente convite: “Escuta, óh filho, os preceitos do Mestre” (Prólogo SB). A escuta deve ser feita de boa vontade e executada de boa vontade. A obediência deve ser vista com o olhar sagrado. É a nossa correspondência à vontade de Deus, que em tudo só quer o nosso bem.

E por fim, aprofundamos de modo orante, o sentido da fraternidade na vida Beneditina. A partir do Salmo 132: “Como é bom, como é suave, os irmãos, viverem juntos bem unidos”, vimos como nosso Pai São Bento nos leva a compreender a beleza e o comprometimento da vida fraterna em Comunidade. São Bento se apoia na experiência dos primeiros cristãos que tinham tudo em comum e compartilhavam seus bens com alegria. A comunidade deve ser o lugar onde se ame ao Senhor na oração, na vida fraterna, na escuta de Deus, na acolhida e no serviço humilde. A Comunidade deve favorecer para que cada membro encontre o que é essencial para viver e um ambiente de paz e harmonia para juntos buscarem o Único Necessário e somente a Ele agradar, pois, absolutamente, nada deve antepor ao amor de Cristo.

 

Retiro Anual – Nova Veneza/SC, 23 a 29 de julho de 2023.

Irmã Goreti de Lurdes Possamai

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