Em 28 de fevereiro de 1936, sete missionárias italianas chegaram ao Brasil movidas pela fé e pela confiança na Providência. Nove décadas depois, o legado das Irmãs Beneditinas da Divina Providência segue vivo na educação, no serviço e na promoção da vida
Há datas que não pertencem apenas ao calendário. Pertencem à memória de um povo. O dia 28 de fevereiro de 1936 é uma dessas marcas na história das Irmãs Beneditinas da Divina Providência no Brasil. Foi nessa data que sete mulheres italianas desembarcaram em Nova Veneza, em Santa Catarina, trazendo na bagagem pouco mais que coragem, fé e a disposição de servir.
Vindas de uma Congregação fundada em 1849, na cidade italiana de Voghera, pelas irmãs Maria e Giustina Schiapparoli, elas carregavam um carisma simples e profundo: acolher, assistir e educar. Um carisma que atravessou o oceano e encontrou em solo brasileiro terreno fértil para florescer.
O início de uma presença
A viagem foi longa. Navio, trem, estradas difíceis. Ao chegarem, encontraram uma comunidade formada em grande parte por imigrantes italianos, com desafios sociais e educacionais próprios de um país em desenvolvimento. Não havia estruturas prontas. Havia necessidades.
Foi junto à Igreja São Marcos que começaram os primeiros trabalhos pastorais e educativos. A presença das Irmãs rapidamente se tornou referência. Com simplicidade e perseverança, dedicaram-se ao ensino, ao acompanhamento das famílias e à promoção humana.
Para a Madre Geral, Irmã Narcisa Maria Pasetto, a celebração dos 90 anos é antes de tudo um ato de gratidão. “Quando recordamos a chegada das sete missionárias, recordamos também a fidelidade de Deus à nossa história. Elas confiaram na Providência e se deixaram conduzir. Hoje somos fruto daquele sim generoso que ecoa até os nossos dias.”
Um legado que se multiplica
Ao longo de nove décadas, a atuação das Irmãs Beneditinas da Divina Providência no Brasil se consolidou especialmente nas áreas da educação, pastoral e ação social. Escolas, projetos comunitários e iniciativas de formação passaram a carregar a marca de um carisma centrado na dignidade da pessoa.
A Superiora Provincial da Província Mãe da Divina Providência, Irmã Maria José Barbosa dos Santos, destaca que a história é também compromisso. “Celebrar 90 anos é olhar para trás com gratidão e para frente com responsabilidade. Somos herdeiras de uma missão que nasceu do serviço humilde e da confiança absoluta na Providência. Precisamos manter viva essa chama.”
A expansão da Congregação alcançou diferentes estados brasileiros, acompanhando as transformações sociais e respondendo às novas demandas com criatividade e espírito missionário.
Memória que inspira futuro
Para as Irmãs que vivem a missão no cotidiano, o aniversário de 90 anos é também experiência pessoal. A memória das pioneiras não é distante, mas inspiração concreta.
Irmã Zenir Varela afirma que a história fortalece a identidade da Congregação. “Quando conhecemos a trajetória das primeiras missionárias, compreendemos melhor quem somos. Elas enfrentaram desafios imensos e permaneceram firmes. Isso nos encoraja a continuar servindo com alegria, mesmo diante das dificuldades.”
Irmã Lorena Cechinel ressalta que o carisma continua atual. “A missão de acolher, assistir e educar nunca perde sentido. O mundo muda, as necessidades se transformam, mas o coração humano continua precisando de cuidado, escuta e formação.”
Já Irmã Fabiana Veres vê nos 90 anos um convite à renovação. “Não é apenas uma data comemorativa. É um chamado a renovar nosso sim todos os dias. A história nos mostra que vale a pena confiar na Providência e caminhar com coragem.”
Noventa anos depois daquela chegada silenciosa e decisiva, permanece viva a certeza que sustentou as pioneiras. A missão iniciada em 1936 segue pulsando em cada comunidade, em cada projeto, em cada gesto de serviço.
O que começou com sete mulheres estrangeiras tornou-se uma presença enraizada no Brasil. E, enquanto a memória é celebrada, o futuro continua sendo construído com a mesma fé que um dia atravessou o oceano.
Irmãs Beneditinas da Divina Providência (IBDP)