Prezadas Irmãs Beneditinas da Divina Providência,
A Palavra de Deus que hoje nos é oferecida, de Lucas 14, 1-6, coloca-nos diante de uma cena carregada de tensão, mas perpassada pela força do amor de Jesus. Ele é convidado para uma refeição na casa de um chefe dos fariseus em dia de sábado, e o texto é claro: “eles o observavam” (v. 1).
Naquele ambiente de rigidez e legalismo, Jesus encontra um homem doente, hidrópico. A doença do homem, que retinha água, pode ser uma imagem da rigidez e do acúmulo de leis sem espírito que sufocavam a vida e a caridade na época. Era um sinal de retenção, de aprisionamento.
Jesus, percebendo a armadilha do olhar observador e julgador, lança uma pergunta direta aos mestres da Lei e aos fariseus: “A Lei permite curar em dia de sábado, ou não?” (v. 3). Eles se calam, pois estavam mais preocupados em preservar a letra da lei, a tradição humana, do que a vida e o bem do próximo.
Aqui ressoa o coração da vossa espiritualidade. Irmãs: a confiança na Divina Providência, vivida no serviço alegre aos irmãos e no lema “Ora et Labora”. O legalismo dos fariseus inibe o Labora e o ar da caridade, restringindo o Ora, transformando o relacionamento com Deus em um mero cumprimento de normas, sem o sopro da vida.
Jesus, ao contrário, demonstra que o Ora autêntico é aquele que nos leva ao Labora compassivo. Ele age, cura e liberta. O sábado, dia de descanso e consagração a Deus, é a ocasião perfeita para manifestar o cuidado e a Providência de Deus que se inclina sobre o necessitado.
Jesus não hesita em estender a mão, curar e despedir o homem. Ele o liberta da doença e do peso do legalismo. Em seguida, desarma a hipocrisia com uma pergunta baseada no bom senso e no amor familiar: “Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?” (v. 5).
A resposta de Jesus é um convite radical à prioridade do amor sobre a lei, da vida sobre o preceito. É um chamado para olhar o outro com o coração de Deus.
Irmãs Beneditinas da Divina Providência:
Vossa Congregação nasceu da fé e da generosidade das fundadoras, que se abandonaram nas mãos de Deus, Pai Providente, acolhendo e educando a infância e a juventude necessitada.
Vossa Missão (Acolher, Assistir e Educar): O homem hidrópico de hoje é todo aquele que, por alguma razão (doença, exclusão, miséria moral ou material), se encontra “retendo água”, sufocado, aprisionado em seu “poço”. A vossa vocação é o braço da Divina Providência que não se detém por regras frias, mas que, com a sabedoria da Regra de São Bento, encontra o equilíbrio entre a busca de Deus (Ora) e a missão de Amor e Acolhimento (Labora).
Sede livres do “olhar observador” e julgador. Que a vossa vida de comunidade, oração e trabalho seja um testemunho vivo de que o “bem não tem dia nem hora para ser feito”. A Divina Providência vos impulsiona a ser “humilde instrumento de caridade misericordiosa” (São João Paulo II), inclinando-vos sobre o mais necessitado, especialmente os pequeninos e os que sofrem.
A lei de Deus é para a vida, para a libertação, e se resume no Amor. Que o vosso silêncio beneditino e a vossa vida simples, humilde e alegre vos permitam sempre ouvir a voz do necessitado e responder com a pronta e eficaz Caridade de Cristo.
Amém.